Entrevista

Dicas e Cuidados
29 de maio de 2018

Entrevista



Entrevista

Uma espécie de pássaro colorido, falante, de bico forte e redondo que vivem em zonas tropicais. Trata-se de uma família antiga de aves e o Brasil, por suas características climáticas favoráveis é o país mais rico do planeta em Psitacídeos, sendo esta espécie muito bem representada pelos papagaios, cacatuas, araras e jandaias, sem falar nos outros. Infelizmente, a ação predatória do homem fez com que muitos desses representantes ficassem ameaçados de extinção, como é o caso do Papagaio da Cara Roxa e Ararinha Azul de Curuçá, que segundo pesquisadores, existe apenas um exemplar solto na natureza. Na semana passada, a ave despertou a atenção dos moradores e pesquisadores de Curuçá (BA) por não ter mais sido vista na região. Ainda não se sabe o paradeiro dela, se apenas voou para outra área ou se foi capturado por alguém. Se for Ararinha Azul de Curuçá esta extinta na natureza, permanecendo apenas os exemplares que são criados em cativeiro no Brasil e exterior. Se não fosse pelo esforço e consciência ecológica de algumas pessoas e pela ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), que desenvolve projetos de proteção às aves, como o Projeto Ararinha, certamente, muitas outras aves já estariam extintas da natureza. Segundo pesquisa do IBAMA, existem, hoje, na natureza apenas 3.000 exemplares da Arara Azul, sendo a maior parte encontrada no Pantanal Mato-grossense. Isso é muito pouco em relação à diversidade e abundância da fauna brasileira de tempos atrás. A destruição de seu ambiente natural e o comércio ilegal foram os fatores que mais contribuíram para o seu possível desaparecimento. Foi por essas e outras preocupações que o comerciante paulistano Luiz Gattaz Maluf, aliando a sua paixão e admiração por essas aves tão belas, resolveu, há 30 anos, criar Psitacídeos em sua propriedade, no Vale do Ribeira. Aprofundou-se nas pesquisas e nos estudos em uma época que a Medicina Veterinária e as facções da Biologia pouco conheciam a respeito dessa espécie de aves. Luiz teve êxito em sua criação baseado-se nas suas observações e convivendo a reprodução, despertou o interesse da classe cientifica e da mídia para que os estudos fossem desenvolvidos a fundo pelos profissionais. Como a ajuda de um amigo que já criava aves e tinha muita experiência, o comerciante aprendeu muito sobre elas e em pouco tempo, já era chamado para dar palestra, workshops e ensinar como havia conseguido a reprodução em cativeiros de aves tão raras nas principais Universidades, Zoológicos e Centro de Pesquisas do país. Mas os objetivos de Gattaz ia muito além de criar aves apenas por hobby, para ser mais um colecionador. Sua intenção era conseguir reproduzir as espécies que estavam desaparecendo da natureza por causa da ação predatória do homem, e conseguiu! Em sua propriedade, legalizada pelo IBAMA desde 1977, Luiz já teve o privilégio de reproduzir varia espécies, entre elas a Arara-una e a Arara Azul. O criador reconhece cada ave e suas particularidades apenas ao olhar uma fotografia. Sabe a sua idade, a origem, enfim, cuida de cada uma como de fosse única, mas não é, pois o seu acervo conta com mais de 500 aves.

Como o senhor começou nesta atividade?

Foi por paixão e amor pelas aves mesmo. Para mim isso é praticamente um hobby e logo me especializei pelos pássaros Psitacídeos, também conhecidos vulgarmente como pássaros de bico redondo, que corresponde aos papagaios, araras, pionus, jandaias, etc... Eu iniciei essa minha criação em 1977 e comecei a reproduzir, foi onde encontrei muita dificuldade, pois naquela época, as pessoas só colecionavam aves, e ninguém sabia nada a respeito.

Esta paixão deu lucro?

Foi um investimento de longo prazo. Nada foi visando o lucro imediato, como disse, comecei a fazer isso por amor. Comercialmente falando, posso dizer que no Brasil, essa ainda é uma atividade zero à esquerda, a muito longo prazo mesmo. Uma pessoa que queira iniciar a criação deve ter uma infra-estrutura muito grande, mandar construir vários viveiros espaçosos, pelo menos 100 unidades para começar e isso exige uma despesa razoável, pois cada viveiro pode ter um casal somente. Depois, precisa andar sexar, definir o sexo de cada ave, que gera, em média, R$ 50,00 ou mais por ave. E se não fizer isso, o criador corre grandes risco de perder muito tempo tentando a reprodução sem conseguir nada. Além disso, é um processo lento para conseguir as aves, não se pode sair por aí pegando qualquer ave, pegar da natureza, tem que preencher uma requisição do IBAMA, regulamento o local e esperar eles fazerem alguma apreensão grande para pegar os exemplares que darão início à criação e tem bastante gente esperando! Tem que fazer permutas com outros criadores, o que não é nada fácil. Cada casal demora mais ou menos de três a cinco anos para reproduzir, e o criador ainda tem que manter as despesas de tratadores, alimentação e remédios. Portanto, no meu ponto de vista, quem quer investir nisso, tem de ter consciência que é uma coisa a muito longo prazo e também tem quer ter uma consciência ecológica bem formada para não cometer erros.

O IBAMA impôs alguma barreira quando o senhor deu início à sua criação ou impõe até hoje?

Não, muito pelo contrário. Hoje em dia, o IBAMA esta fazendo um longo processo de difusão para que haja um maior controle do comércio clandestino, para incentivar outros criadores a começarem e evitar que as pessoas comprem ou capturem aves diretamente da natureza. Pois quando isso acontece se esta incentivando o tráfico. Na época em que comecei, não havia tantas proibições como hoje, devido ao aumento desse tráfico de animais, que realmente só perde para o tráfico de drogas. Vale muito mais a pena pagar um pouco mais e ter uma ave legalizada. O pessoal do IBAMA faz visitas regularmente aos criaduros, faz as vistorias, verifica se esta tudo em ordem. Mas nunca criou nenhum tipo de barreira. Eu sempre fui muito rigoroso com a minha criação.

O senhor não acha que esse incentivo possa também incentivar o comercio ilegal?

De maneira alguma. O que incentiva o tráfico é ficar fazendo propaganda sem conscientização, sair por ai divulgando os preços. Daí o caboclo que vive no meio do mato e esta acostumado a ganhar apenas um salário mínimo, que passa fome, ouve que essas aves valem muito e pensa: por que eu não posso também? Elas estão aqui mesmo! E aí, pega ave diretamente da natureza, transporta sem cuidados, não imuniza e elas acabam morrendo. Isso não pode continuar acontecendo. O IBAMA tem uma política correta para incentivar os criadores legalizados e para conscientizar que não pode tirar mais um exemplar da natureza. Hoje em dia tem muita gente boa no IBAMA. O que precisa ser divulgado e que muita gente não sabe é a penalidade aplicada, que é muito pesada: multa de R$ 5.000, advogados, processo e a prisão em flagrante sem direito a fiança. Isso sim é preciso divulgar mais.


Como o senhor prova que as aves são legalizadas?

Com 15 dias de vida, as aves recebem um anel, que só entra quando elas estão com essa idade, todos é numerado e com o meu nome e do viveiro para não existir nenhuma dúvida. Quando a ave é vendida, vai junto com a nota fiscal e com um documento constando o número do criadouro, do IBAMA, tudo direitinho. Os compradores têm que exigir a nota fiscal, senão, é ilegal.

Quanto custa manter uma ave desta espécie?

É relativamente barato porque tudo você tem em casa sobrando: legumes, frutas. Eles comem pouco. A minha despesa é grande pela quantidade de aves que eu tenho e os cinco tratadores que eu preciso manter para que dêem conta de tudo, tem os veterinários, mas não é caro pra quem quer começar. Os tratadores do meu criadouro ficam 24 horas à disposição deles, mas para quem está iniciando, a despesa vai ser somente com as sementes e os remédios, pois ele mesmo pode cuidar da ave.

Quem são as pessoas que compram as suas aves?

São as pessoas conscientizadas, ecologicamente, que sabem que vale a pena ter em casa uma ave legalizada, que não foi tirada da natureza imprudentemente. Que se sentem livres para sair na rua com a ave no ombro sem criar maiores problemas. Há colecionadores de aves e muita gente interessada em começar a criar.:

Quais os itens básicos para construir uma matriz?

Eu tenho, em média, 230 viveiros de três a quatro e alguns outros maiores para aves como cacatuas e araras, que devem ter uns quatro a cinco metros, mas que são muito mais altos e largos que os outros. Cada viveiro deve ter apenas um casal para poder reproduzir em um período de três a cinco anos. É preciso tomar muito cuidado e atenção com sexagem, porque muitas vezes, você coloca duas peças juntas e só depois de anos é que descobre que são do mesmo sexo. Meus viveiros são, feitos de alvenaria, cercados por tela, cobertos e também precisam de proteção contra os dias de chuvas ou vento muito forte, mas isso pode ser feito com um plástico ou lona mesmo, envolvendo-os. O clima daquela região facilitou bastante a adaptação das aves, é bem quente e o inverno não é rigoroso. O clima ameno facilita bastante a adaptação desses pássaros.

Como o senhor conseguiu driblar as dificuldades técnicas no início, se não tinha especialistas?

Realmente naquela época, não existiam especialistas, era um coisa muito nova, principalmente em relação à reprodução , era tudo muito difícil, porque havia a necessidade de ter um macho e uma fêmea e nessas espécies, não sabe só de olhar quem é quem. Na família dos Psitacídeos, eles são idênticos, mas eu tinha um amigo, o Nelson Calon que me orientou muito , pois já tinha alguma experiência . era preciso fazer a sexagem dessas aves e isso ainda não existia no Brasil, só no exterior. Então muitas vezes, eu descobria que havia colocado dois machos ou duas fêmeas juntas, depois de alguns anos . Foram muitos anos de observação e aprendizado com o Nelson e com as aves, claro. Para fazer a reprodução. Aqui no Brasil, existem pessoas que convivem no campo e que falam que sabe diferenciar qual é o macho e qual é a fêmea. Isso é puramente por causa da observação, digo que é um dom que essas pessoas têm. Porque mesmo depois de 23 anos de criação, se pegarmos duas peças de aves aleatoriamente, eu não saberia dizer ou diferenciar o sexo só de olhar. Eu sei das minhas, mas se pegar na natureza e pedir pra diferenciar mais tempo, eu mando fazer a sexagem, que hoje já existe aqui no Brasil.



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